AS FACES DE UMA MOEDA DE VÁRIAS FACES


Ele queria tanto sentir pena de si mesmo,

Colou na parede do seu quarto o pôster do Sex Pistols,

Acendeu o baseado e tragou todas as dores do mundo,

Tornou-se uma comunhão entre o que passou e não volta mais,

Com o que ainda não chegou, mas lhe trará paz.

Estava tocando na vitrola o vinil do Eric Clapton,

E aqueles acordes de blues que saiam daquela guitarra mágica,

Encheu sua mente e seu coração de coragem,

Coragem de enfrentar o mundo com mais suavidade,

De enxergar por entre as melodias, uma forma de ser completo,

Ele estava completamente sem direção, sem ter para onde ir,

Mas ele sabia que tinha que caminhar, não podia ficar parado,

Os lençóis estavam limpos e cheirosos,

Seu corpo tinha cheiro de noites mal dormidas,

Atormentadas por ideias destrutivas e negativas.

Ainda bem que o som da vitrola estava circulando pelo quarto,

Fazendo do baseado um relax e não uma fuga.

Eram três da manhã e a madrugada o abraçara,

Entre goles de whisky barato o dia se aproximava,

Junto a ele o medo se escancarava,

A porta da percepção se abria velozmente,

E uma espécie de torpor o invadia por completo,

O deixando à mercê de suas próprias fragilidades,

Que sem esperar muito se apoderou de seu corpo e de sua alma.

O sol já estava todo poderoso no céu, a vida urbana estava agitada,

Seu corpo se mostrava cansado e exposto ao próprio destino,

Ele então deitou-se sob os lençóis ainda limpos, mas já com um cheiro estranho,

Olhou fixamente para o pôster na parede,

Colocou agora um disco do Cat Stevens na vitrola,

Cerrou seus olhos e se entregou ao mundo de Morpheu,

Onde e apenas onde ele de sapo se transformava em príncipe.

17/06/15


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